"A tua voz apazigua-me a alma. É como se tivesses mesmo aqui, ao meu lado. É como se nunca deixasses de aqui estar e, a verdade, é que nunca deixaste. Habitas no meu ténue engenho, porque assim o quis. Deixei que te acomodasses em mim, que trouxesses as tuas mobílias e os teus pertences. Deixei que vivesses em mim e sabes, se não o tivesse feito não estaria tão feliz como estou agora. E acredita quando te digo isto, porque a felicidade foi sempre algo que desejei guardar. Foi sempre algo que eu não tive e que hoje, graças a ti, pude conhecer. E olha, de vez em quando não sentes uns tremores? Não te assustes, são tremores de coração, do meu coração. O seu batimento acelera assim que o meu pensamento magica em ti e claro, sempre que o teu corpo está perto do meu. E oh, ele sente-se tão bem que, por ele, consentia que os seus ventrículos e aurículas chocassem. Que se originassem réplicas atrás de réplicas e que algumas faíscas fossem lançadas. Seria a maior e melhor catástrofe de sempre: a catástrofe do amor."